Por ser oportuno e inspirador, reproduzimos este artigo que reflete uma visão atual sobre o papel do gestor brasileiro no mundo:
Em 1922, os artistas ganhavam a atenção dos brasileiros com a Semana de Arte Moderna no Theatro Municipal, em São Paulo, mostrando que era possível absorver o melhor da criação internacional, reprocessá-lo mediante nossos desejos e necessidades, e torná-lo genuinamente brasileiro, em um movimento que o escritor Oswald de Andrade foi muito feliz em batizar de “antropofagia”.
Em 2010, passados pouco menos de cem anos, são nossos gestores que fazem esse caminho, aparecendo aos olhos de seus conterrâneos e dos colegas do mundo inteiro com uma mistura original de conceitos e práticas de gestão, que presta tributo tanto à antropofagia de Oswald como à miscigenação saudada por Gilberto Freyre.
Com a experiência de quem focaliza e monitora a vanguarda do management mundial há duas décadas, a HSM vem observando detidamente o nascimento dessa escola brasileira de gestão, sejam as soluções próprias das empresas de atuação local, seja o que é único no estilo de nossos gestores. Alguns resultados do esforço vêm aparecendo em nossa produção regular, mas chegou a hora de abrirmos um espaço dedicado especificamente a tais descobertas.
O projeto Brasil: Presença na Gestão que Dá Certo é esse espaço. Lançado oficialmente na HSM ExpoManagement 2010, trata-se, na verdade, de um espaço multiespaços, porque seu conteúdo transitará nos diversos canais HSM, dos eventos à revista, da televisão a este portal. O objetivo é apresentar conceitos e práticas brasileiras que são, ou deveriam ser, referências mundiais em gestão –isto, sob o olhar HSM, que, como o leitor sabe, é primordialmente técnico, tático e estratégico.
Volto ao paralelo com a arte: era o filósofo Friedrich Nietzsche que dizia que a importância de uma obra de arte sempre depende do olhar que se lhe lança. O raciocínio se aplica também à gestão de empresas: uma ferramenta, um processo ou um modelo gerencial podem ser excelentes, mas, se ninguém observá-los como merecem, não serão devidamente percebidos e apreciados –e, menos ainda, bem replicados.
É com orgulho que convido o leitor a participar das ricas trocas que acontecerão no âmbito deste novo projeto, que vem ressaltar, talvez, a maior de nossas vantagens competitivas: o know-how da diversidade, que, apreendida e aprendida, resulta em antropofagia e miscigenação de teorias e práticas. Por seu turno, e no que tange às empresas, estas geram os novos caminhos da gestão.
Gostaria de lembrar o que Peter Drucker enfatizava: administração tem muito de arte.
Marcos Braga
Presidente da HSM Brasil
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